sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O sertão, a borboleta e o martelo.

Queeeeeem, quem nessa vida boa de meu Deus nunca deu um fora?? Aposto que você lendo esse post já deu váaaarios. É que tem gente que vai além da conta, né?
Como podem BEM imaginar, tenho esse sério problema e o que não falta é conteúdo de “foras” para contar aqui.


Nem sei se já comentei, mas quando alguém começa a falar uma coisa meio chata finjo que presto atenção e na verdade viajo até a Lua em pensamento. Sério gente, começo a traçar planos dos mais estratégicos na minha mente....e a pessoa lá, gastando seu português. E que sou muito educada para deixar alguém falando. Claro que às vezes dou uma desculpinha e tchau, mas na maioria das vezes, desencano e deixo a pessoa ter esse momento de felicidade.
Meus amigos dizem que sou filha de borboletas com pôneis voadores, porque vivo num mundo paralelo. Acho que sou seletiva nos assuntos dentro do meu mundo mesmo....vai saber.

Antes de casar não ficava um final de semana em São Paulo. Deixava tudo pronto na quinta à noite, daí sexta depois do trabalho cantava com as amigas: “vamos a la playa, oh oh oh”.
Minha amiga Lu PitBull (sim gente a Lu é daquelas loirinhas baixinhas que dá mais medo do que um pitbull gigante e fardado) comprou uma casinha fofa no sertão de Camburi (litoral Norte de SP), conhecido como Piavú. Só que chegar no Piavú era uma aventura. Pensa naquela estrada de terra sem acabamento, nos caiçaras bêbados que atravessam seu caminho do nada ou então no rio que transborda.....praticamente uma corrida de aventura. E nós amávaaaaamos, éramos devoradas pelos borrachudos e nem tchum!

No sábado acordávamos bem cedinho e preparávamos um café da manhã de estrelas na varanda. Nós, os passarinhos, o sol, as flores e as comidinhas.
Poxa, aquele sol na cabeça e eu só queria desfrutar o momento e me jogar na praia. Mas a Lu estava reformando a casa e ficava naquele assunto chato de pedreiro com o Severino. E o Severino, minha gente, ahhh o Severino era um personagem na região.
Sabe aquele nordestinho barrigudão que faz tuuuudo o que vc pede na maior boa vontade e querido de tudo? Então...
Ele de-tes-ta-va caseiro com má vontade, era super respeitado e cuidava da casa da Lu como ninguém, só que o cabra falava mais que a boca. E o pior, eu não entendia 1 palavra do que ele dizia. “Nhanhanahanhenehejujujucococxixix” para mim era isso que ele falava. Só que eu era suuuuuper atenciosa porque ele era muito querido.

Num desses dias, eu estava sentada tomando meu cafezinho e meio lesa de sono, ele em pé arrumando umas coisas relacionadas à reforma na casinha e a Lu no quintal. De repente:

Severino: ô Micheuli, nhanhanahamajenaanaha.
Eu: ahhhh sério Severino, que legal...nooossa!
Severino: que eu preciso chonhalucachouvaski para pegar....
Eu: é meeeeeeesmo???? Nossa, hein..que coisa.
Severino: lá na casa lá chonhalucachouvaski lá que vai....
Eu: caramba hein Severino...nossa!

A Lu que estava escutando esse diálogo entra rindo na casa, PASSADA a ferro e fala:

Minaaaaaaaa, ele tá pedindo pra você passar o martelo...pega o martelo e para de falar: aham, nossa q legal!

Sim, o Severino devia me achar meio tonta.
Falo dele no passado porque já morreu. Estranho gente forte assim morrer, né? Mas esse ícone do Piavú se foi. RIP Severa!
Outro dia conto mais sobre a praia. Tem muiiiiita coisa engraçada dessa época.

Sei que hoje é sexta, dia de se jogar no final de semana. Saberemos quem matou o Max e o que será da Carminha. E se você for para a praia e conversar com alguém, pare, olhe, preste atenção e responda com responsabilidade.

Aquele beijo.

Filhotinho de borboleta viajando para a Lua.


3 comentários:

Unknown disse...

Me rachei de dar risada... imagine falar com os Severinos por telefone?! Quem passou por isso, sabe bem o que estou falando.
:)
Tati

Anônimo disse...

amiga é antes de seis e meia da matina e eu aqui me acabando de rir das suas peripeécias!!!!! ajahha bjo
Giselle Slade

Anônimo disse...

Chorei! Vc realmente faz a gente entrar na cena!!!! Amo!
Helena Alayon