Cabelo, ahhhh cabelo cabelo cabelo. Porque é tão essencial na nossa vida?
Sansão que o diga, não é mesmo? Ou a doce Rapunzel Rapunzel...jogue suas tranças, Rapunzel.
O fato é que cabelo interfere em tudo, a mulherada se acaba gastando rios de dinheiro e ele cria a identidade da pessoa.
Se o cara não tem: ô careca!
Se o cara tem muito: fala ae, cabeludo!
Se a menina é loira: aeee loirão!
Se a menina é morena: ô lá em casa, hein morenááá!
Se o menino é ruivo: ae cabelo de fogo, qualé a boa?!
Se a pessoa está ficando com os cabelos brancos: tá véi, hein véi?!
Vou te contar algo, você é qualificado pelo seu cabelo, queri!
Aos 8 anos eu era aquela menininha moreninha de praia de cabelo castanho meio claro do sol, comprido e cheio de cachinhos. Muito bonitinha, gente!
Nessa época minha mãe começou a fazer curso de cabeleireiro no SENAC. Era demais, vários amigos legais, aquele clima de salão grande e eu achava o máximo o mundo do corte, cabelo e secador.
Na TV, “Dona Flor e seus Dois Maridos” bombando e encanei com o cabelo da Dona Flor que era chanelzinho. “Mãe, mãe...quero cortar. Quero CORTAR!!!”. Falei tanto que ela cedeu, mas achou melhor que o corte fosse feito por um amigo mais “avançado” no curso.
No dia do corte, o amigo MENINI da minha mãe estava super empolgado. E mesmo com 8 anos devia ter percebido que aquela empolgação era sinal de que eu era sua primeira cobaia.
Começa o corte, shuá, shuá, trec, trec, tchufi, thcufi, voilá. E ai minha linda, o que achou?
Olho no espelho e o que vejo é bizarro: um lado meio raspado e o outro comprido. Penso: Hã? Huh? hein? Não queria ser punk, só queria um Chanel.
Minha mãe e ele olham para mim tensos e começam a cochichar.
Penso: caiu a casa! E então minha alma não segura a emoção e lágrimas escorrem pelo meu rosto.
Minha mãe fala: filha, é que o menini errou a mão e agora vamos ter que cortar tudo estilo Joãozinho. Mas fique tranqüila, o cabelo vai crescer.
Ele começou a cortar e eu devo ter chorado o ano inteiro dos 8 anos. Ainda por cima não tinha furo na orelha, então fiquei um MENINO, um MICHELO. De Dona Flor para Maria Sapatinha.
No dia seguinte era hora de enfrentar a escola e eu tinha uma professora UÓ, a Carmem Silva.
Todos morriam de medo dela, afinal ouvíamos várias histórias:
- ela quebrou uma régua de madeira na cabeça de um menino;
- ela é a loira do banheiro disfarçada;
- ela dá croque na cabeça dos alunos;
- ela não gosta de crianças.
E no fundo acho que não gostava mesmo. Cheguei à aula e sentei quietinha. Começa a chamada:
Ana
Presente.
Camila
Presente fessora.
Fessoraaaa?? Aprende a falar, é professora menina!
Estela.
Presente.
Lucio.
Presente.
Michele
Susurro um presente bem baixinho: presente.
Micheleeee? Cadê a Michele, gente??
E todos apontam: ué, tá aqui professora!
O queeeee? Michele, quem te transformou nisso? Pensei que fosse um menino novo. Coitada.
E a classe inteira NÃO RIU, porque todos achavam aquela mulher uma bruxa. Blé pra ela.
Logo o cabelo cresceu e virei Dona Florzinha com meu lindo Chanelzinho. Não tenho trauma porque sei que cabelo cresce, mas que é um árduo caminho não se pode negar.
Hoje em dia a moda é fazer TOP KNOT. Moda o caramba, né gente? Isso sempre existiu, de patroete à empreguete, todas fazem um coque no alto para se livrar do calor, fazer faxina ou deixar o cabelo preso em situações necessárias...todas sempre fizeram, mas agora é MODA!
Eu faço, mesmo com meu cabelo curtinho, sempre fiz. E como sou muuuuuito amiga, vou colocar umas referências lindas aqui PAZAMIGA! Tudo para esquecer a fase Joãozinho....
*imagens: Pintrest.








8 comentários:
lido e adorado de novo!!!rss,o meu cabelo tá na moda desde sempre!cabelo bagunçado,só fica bom assim...rss
Joyce :)
Kkkkk amiga, esse post merecia um adendo: Beth, a feia. Bjs, Loira Burra
Amei! pra variar tenho lido todos os dias estes posts ótemos. Pô...ainda bem que seu cabelo era liso. Se fosse o meu, demoraria 1 século pra crescer.Minha mãe fez o favor de cortar nossos cabelos estilo chitãozinho. Ultra Curly hair não combina com chitão, mãeeeee!!! Ninguém avisou pra ela!!! hahahaha
Opa! Esqueci de identificar...Mo Bedoyan
Mi! Amei os coques!!!!!
Amiga todas nós mulheres lindas hoje, acho que temos um corte joãozinho lá no nosso remoto passado!! Mas tenho certeza que mesmo de joãozinho o brilho dos seus olhos continuou o mesmo!! Beijos
Giselle Machado Slade
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