PAUSA
Eu e meu irmão vivíamos na rua com a nossa turminha. Tínhamos um clubinho e eu era a Shitara dos Thundercats, tinha que correr igual a Lola para justificar meu papel. Jogávamos taco e lá menina não tinha vez, se a bolinha caísse no bueiro tinha que entrar para pegar (mas meu irmão sempre pegava para mim, hehehe).
Brincávamos de salada mista, esconde-esconde, UÓSSSTOP (stop) e muito mais. Só não sabia andar de bicicleta, não conseguia de jeito nenhum.
Acontece que comecei a gostar de um menino da rua de cima e não tinha motivo para ficar subindo a rua toda vez, precisava de algo que fizesse com que ele me visse, mas sem achar que era por causa dele...entende? Daí uma amiga falou: Mi, você tem que pegar a bike e dar umas voltas. Só assim para ser notada sem ele ficar falando para todos que você está apaixonadinha.
Pensei: ai caramba, é verdade...tá bom, vai. E gritei para o meu irmão: Fabriiiiizio, me empresta a bicicleta?? E ele: empresto, mas essa não é minha, é do Gaúcho. E eu: ah tá, vai me ensina.
Subi, comecei a pedalar e VOILÁ: aprendi! Foi o máximo, me achei demais, subi a rua com o vento na cara e pronta para dar aquela paqueradinha no gatinho.
E lá estava ele com sua turma de amigos. Passei por eles fingindo que não tinha visto, mas minha visão periférica via tudo...ele olhou para mim, SCORE! Fiz a volta na maior classe e comecei a descer, mas a bicicleta ficou tão rápida que não conseguia dominar a bicha. Foi então que percebi que não tinha freio e que eu estava numa das descidas da Pompéia. CARAMBOLA, é agora que morro! Eu, a turminha e o paquera...todos pensamos o mesmo. Então começaram a correr atrás de mim imitando uma sirene de ambulância. Passei assim por 1, 2, 3 quarteirões e aquela turma da rua de cima se juntou com a minha turma da rua de baixo formando um grupo de uns 30 meninos.
Meu irmão gritava: vira a esquina para subir a rua, burra!
E eu: ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh socorro!
Foi então que bati numa guia de calçada e podia simplesmente ter caído no concreto. Mas nãoooo, cai em cima de uma camada bem gorda de FLOR DE ESPINHOS.
Humilhada, cheia de espinhos, a galera gritando UÉUÉUÉ (ambulância fake) e machucada no corpo e no coração....lá estava eu.
Bom, lembra dos italianos invasivos? Pois bem, um deles contou para a minha mãe o que houve e ela foi correndo:
MÃE: Michele, o que aconteceu?
A HUMILHADA grita: nadaaaa, sai daqui...saco!
MÃE: tchupafi tchupafi (dois tapas no meio da minha cara, na frente de todo mundo) Tá louca de gritar comigo na frente de todos? Vai, levanta e vamos pra casa!
Levantei e não olhei para a cara do menino, que fiasco. Não sei quais foram os comentários e fiquei uns 40 dias de molho em casa.
Se ando de bicicleta? Ah, gosto daquelas com motor da Farm, são tão lindas! Esses dias fiz um test drive e quase atropelei o vendedor na calçada. Sendo assim, melhor deixar as coisas como estão, certo?


11 comentários:
Miiii,
Fui lendo a história e imaginando a cena.
Fiquei num mix de sensações, foi cômico e ao mesmo tempo fiquei com dó!!
Sacanagem, depois de todo o sofrimento ainda apanhou da mamis.
Estou adorando seu blog!!!
Bjooo Fran
to adogando!
bj Gabi
Mi, só posso dizer que eu te entendo! rs Eu dei meu primeiro beijo no menino à noite e, no dia seguinte, minha mãe me arrastou pelos cabelos do hall do prédio (onde estavam tooooo-dos os meninos do mundo, inclusive o meu beijoqueirinho) até o apartamento! Humilhação pouca é bobagem, né?! rs Adorei o blog, virei sempre. Bjs
tão gostoso ler os comentários, saber as reações, ver que temos tudo assim, tão igual. gente querida e que amo, obrigadaaaa!
Mi, que foufo! huauhauha Uma belíiiissima crônica!
Bacio!
Quem ñ se identifica, das duas uma:
nunca foi criança ou nunca andou de bicicleta ;)
Bjs,
Tony
Quem ñ se identifica, das duas uma:
nunca foi criança ou nunca andou de bicicleta ;)
Bjs,
Tony
Hahahahahaha... vc é o máximo Mii!! Amo suas histórias e já imagino vc contando todas.... tadinha, fiquei com dó, mas dei mta risada tb!!=)
Beijooss Alê
Aiiii Micheleeee, chorei de rir!!! To amando o seu blog...rsrsrsrsrsrrs.♥
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